domingo, 20 de setembro de 2020
Carta de repúdio dos Movimentos Negros Amapaenses
sábado, 8 de agosto de 2020
CARTA A UM HOMEM NEGRO (VULGO MEU PAI): ABANDONO E PATERNIDADE NEGRA
CARTA A UM HOMEM NEGRO (VULGO MEU PAI): ABANDONO E PATERNIDADE NEGRA
Por - Dàgalágbà (nome fictício)
Fonte: Moonlight
Demorei demais para colocar na centralidade dos meus pensamentos e sentimentos a figura da paternidade de quem chamo de “doador de esperma”, ao longo da minha vida, essa figura sempre foi marcada por um paradoxo: A negação de sua existência e a constante lembrança reafirmada quase que diariamente pela minha família “Dàgalágbà , não seja como teu pai!”. Afinal, quem era essa figura quase que mítica? Como vou deixar de ser alguém, que eu não convivo e não conhecia. Minha masculinidade sempre foi em oposição a dele. Mas, primeiro, eu precisava nos últimos anos levar a sério quem seria esse homem na minha vida e no meu imaginário. Meu pai, é tudo, que a sociedade brasileira espera de um homem negro. Irei descrever esse imaginário não para fortalecê-lo, mas para questioná-lo. Ele é um homem negro que foi condicionado a ter várias mulheres, para além de ter, ele engravidou várias mulheres, e depois as abandonava. Dentro desse movimento, sou fruto do abandono.
Ele foi condicionado e foi negada o direito de estudar e foi empurrado ao trabalho braçal (ao trabalho subalterno) — que todos os dias homens negros são empurrados a ocupar esses lugares. Outro fator meu pai era violento e alcoólatra. Das poucas lembranças que tenho dele, todas são marcados pela violência. O presente do meu pai é uma marca na minha perna de uma fivela de um cinto que rasgou minha pele. Minha mãe certa vez tentando se defender, teve que esfaqueá-lo, e a imagem do sangue nunca saiu da minha cabeça. Talvez amigos (as) e familiares não saibam disso.
No início do texto escrevi “minha masculinidade sempre foi posta em oposição a do meu pai”, logo, meu acesso a esse homem negro sempre perpassou pela narrativa das mulheres que me criaram. Demorei anos para ter consciência disso. Essa ideia estava no meu inconsciente, e isso atravessava toda a minha vida e me influencia. Saber disso é doloroso, porque, minhas atitudes acabariam por machucar pessoas e a mim mesmo. Nada justifica, aqui entra a responsabilidade. Logo, como posso me criar como “homem” sendo que perpassa por essa “referência”? E o mais doloroso como posso eu fazer um resgate de uma negritude sendo que essa é atravessada por dor, abandono e sofrimento? Na música " Negro Drama" escreve Racionais MC's “Um bastardo mais um filho pardo sem pai”, nesses anos, levei a sério no processo de entender em profundidade esse homem negro que atravessa toda a minha história. Falando, com amigos sobre isso, umas das marcas do racismo e no período da escravidão era que os homens negros tinham que suportar tudo e não demonstrar fraqueza diante das mulheres negras e dos seus filhos, e umas das coisas da violência da escravidão foi colocar os homens negros como férteis e reprodutores — tinham metas de engravidar as mulheres por ano.
Depois disso, comecei a analisar com quais mulheres ele se relacionou — das mulheres que fiquei sabendo todas eram brancas. Outra questão surge: porque os homens negros procuram mulheres brancas para se relacionar, e, ao mesmo tempo, evidenciar publicamente? Como já ficou mais do que batido, só ver os homens negros de sucesso, quase sempre tem uma mulher branca para chamar de sua. Como se isso fosse fazer esquecer da sua condição de homem negro, ou mesmo, por um momento entrar em um campo onde ele poderia ser ele mesmo e não ficar diante da sua dor e angústia pelas violências que são postas aos homens negros — por que nós adiamos tanto, a tal ponto, de não conseguirmos nos relacionar com as mulheres negras. Penso, talvez, que esse movimento dele era poder em um momento escapar das violências que ele sofreu, e poder se encobrir na pele que inconscientemente ele desejava passar aos seus filhos — mal sabe o que ele produziu. Me empurrou ou boa parte dos seus filhos na ideologia do branqueamento - se relacionar com pessoas brancas para clarear a família.
E que a minha própria família, tentou, mesmo que de forma inconsciente, fazer um apagamento de qualquer relação com a minha família por parte desse homem negro — eu não sei quem são os pais dele, não sei quem são os meus avós.
Como essa violência colonial acaba por influenciar nossos comportamentos e reproduzirmos a falta de responsabilidade com as mulheres negras, o abandono, mas do que uma palavra - o abandono- deixa marcas reais e profundas nos nossos psicológicos e no campo do sentimento, tanto para os filhos como para as mulheres. Nesse ponto, entra uma pergunta, como devo responsabilizar o meu pai como um homem negro? Do qual as atitudes desse deixou marcas de dor? Dos movimentos que fiz e ainda faço é: fazer uma leitura sobre a história do homem negro nesse país, entender os comportamentos desse homem negro sobre a influência da colonização, como isso me atravessa, e entender em profundidade que muitas vezes ele mesmo não sabe que está reproduzindo essas violências coloniais, isso significa dizer que irei retirar a responsabilidade dele ou mesmo justificar, jamais! Ele é responsável pelas dores causadas nas pessoas (nos seus filhos e nas mulheres com quem se relaciona) e pelo abandono.
Depois de caminhar pela minha própria dor, o que vou fazer com isso? Primeiro é absorver tudo o que isso significa, analisar os meus próprios comportamentos — e assumir a minha responsabilidade — e tentar acabar essa lógica colonial que os homens negros são condicionados. Essa lógica da crueldade que fere tanto os homens negros, como as pessoas com quem a gente se relaciona. Em vivendo de amor escreve Bell Hooks “Nós negros temos sido profundamente feridos, como nos diz, “feridos até o coração", e essa ferida emocional que carregamos afeta nossa capacidade de sentir e consequentemente, de amar. Somos um povo ferido. Feridos naquele lugar que poderia conhecer o amor, que estaria amando.” Continua “[...] muitos negros estabeleceram relações familiares espelhadas na brutalidade que conheceram na época da escravidão. [...] Estavam assim se utilizando dos mesmos métodos brutais que os senhores de engenho usaram contra eles [...] escravos revelam que sua sobrevivência estava muitas vezes determinada por sua capacidade de reprimir as emoções.”
Diante disso, o que nós homens negros vamos fazer, como vamos reinventar a nossa masculinidade e a paternidade negra? O que sinto é medo, medo de não ser como o meu pai, e novamente eu acabo por cair em um paradoxo, como vou me reinventar ou resgatar uma negritude que perpassa por quem me acusou muita dor!
REFERÊNCIAS
Site: https://www.geledes.org.br/o-segredo-dos-escravos-reprodutores/ acessado dia 06 de agosto de 2020.
HOOKS, B. Vivendo de amor. In: WERNECK, J. O livro da saúde das mulheres negras: nossos passos vêm de longe. Rio de Janeiro: Pallas: Criola, 2000. p. 197.
Palavra em iorubá Dàgalágbà - Tornar-se um homem adulto
domingo, 26 de julho de 2020
[LIVE] Mulheres negras, feminicídio e políticas públicas
sábado, 25 de julho de 2020
"GRITARAM-ME NEGRA" - DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA LATINO-AMERICANA E CARIBENHA (25 DE JULHO)
VIVA TEREZA DE BENGUELA, VIVA AS
MULHERES NEGRAS LATINAS E CARIBENHAS!
MULHERES
NEGRAS NÃO PAREM DE LUTAR!
Por Benedita Alves
Imagem: Andressa Almeida
No Brasil e no mundo, mulheres negras
revolucionárias sempre estão balançando e rompendo com estruturas da opressão
racista. O legado de nossas ancestrais ecoa com força em mais um 25 de julho.
Desde 1992, há exatamente 28 anos, um grupo de mulheres negras, que não se
sentiam representadas pelas políticas e falas do feminismo branco, realizou na
cidade de São Domingos, na República Dominicana, o Encontro de Mulheres Negras
Latinas e Caribenhas, onde também nasceu o Dia Internacional da Mulher Negra
Latina e Caribenha.
Hoje é um dia de luta Internacional, um dia especial, um símbolo que
nossas companheiras latinas e caribenhas construíram para nos armar, inspirar e
poder seguir a luta. Nossa griot Teresa de Benguela
homenageada desde 2014 no 25 de julho, por sua coragem e determinação no
enfrentamento ao sistema colonial escravocrata, liderou por duas décadas o
Quilombo do Piolho ou do Quariterêre, atual cidade de Cuiabá.
Uma líder, sem dúvidas. Criou um parlamento local, organizou a
produção de armas, a colheita e o plantio de alimentos e chefiou a
fabricação de tecidos vendidos nas vilas próximas. Seu exemplo de
resistência nos enche de orgulho e admiração.
Hoje em dia, milhões de Terezas lideram suas casas,
lutam pelo pão de cada dia para si e seus filhos, enfrentam o quartinho da
empregada e o elevador de serviço pra receber 70% menos do que uma mulher
branca, de acordo com dados do IPEA de 2016. Nós, mulheres negras,
sofremos com o sexismo e a hipersexualização dos nossos corpos, somos as
maiores vítimas de violência obstétrica, abuso sexual e homicídio – de acordo
com o Mapa da Violência 2016, os homicídios de mulheres negras aumentaram 54%,
enquanto os homicídios de brancas reduziram em dez anos no Brasil. Em nosso
Estado (Amapá), a juventude periférica enfrenta a mira do racismo policial dia
após dia e, assustadoramente, É A POLÍCIA QUE MAIS MATA NO BRASIL.
A griot Lélia Gonzalez denunciou em
1982 o “Lugar de Negro” que antes vivia nas senzala às favelas, cortiços,
porões, invasões, alagados e conjuntos habitacionais dos dias de hoje. No
Brasil e no mundo, gente rica tem espaço amplo, proteção, natureza, alimentação
de qualidade, saúde, acesso a variados bens culturais, informacionais,
profissionais, enquanto o povo negro amarga seu “exílio na periferia” e as
políticas do péssimo ensino. Divisão de raça e classe. Na mesma trincheira
estão nossas parentes lutando há mais de 500 anos contra a colonização de suas
crenças, modos de vida, por seus territórios e pela floresta em pé. A carne
mais barata, como protestou nossa mestra Elza Soares, é a que vai de graça pro
subemprego, pra prisão e pro hospital psiquiátrico.
E por isso lutamos!
A população negra vem crescendo em nosso país nos
dados do IBGE. Segundo este instituto, desde 2015 brancos não são a maioria
(nunca foram). Nós já sabíamos que o processo de branqueamento afasta a cultura
negra e indígena das crianças seja na escola, TV, revistas, igrejas
convencionais, etc. Isso vem mudando? Sim, mas não podemos comemorar. Na escola
ainda se reforçam estereótipos de negro ladrão, a mulata morena e o índio
preguiçoso. Por que será que não se identificavam antes? Afinal de contas, quem
quer ser reconhecido por isso?
O racismo é sustentado pelo padrão branco
dominante, sofremos violências em sequência, mas estamos aqui para falar das
negritudes e etnias marginalizadas. Na América Latina e no Caribe, 200 milhões
de pessoas se identificam como afrodescendentes, segundo a Associação Mujeres
Afro, em 2016. A ONU afirma que dos 25 países com os maiores índices de
feminicídio do mundo, 15 ficam na América Latina e no Caribe.
O dia de hoje é sobre tudo isso, era isso que
nossas ancestrais latinas e caribenhas estavam falando. Elas disseram que
estavam sofrendo e estavam denunciando a violência histórica do Estado e o
feminismo racista. Quando Victoria Santa Cruz, afroperuana multiartista
intelectual, lançou para o mundo o poema e performance “Gritaram-me Negra”,
alertou o quanto o racismo pode nos fazer cair, nos fazer recuar, retroceder,
gerando sofrimento e estranhamento dos nossos corpos desde criança. Mas ao mesmo
tempo gritou que ser Negra! não era aquilo que o branco falava. E reinventou o
que é ser Negra! A dor deve se tornar
luta contra o sistema capitalista e nossa história de resistência, orgulho!
Não desiste negra, não desiste!
1 - Na África
Ocidental o griot é uma pessoa que tem por vocação preservar e transmitir as
histórias, conhecimentos, canções e mitos do seu povo.
terça-feira, 21 de julho de 2020
Enegrecer a política brasileira: a atuação de mulheres negras no legislativo
[Live] Educação antirracista: a educação escolar quilombola como ponta de lança
Live do projeto Utopia Negra - enegrecendo a política amapaense. Adrian Barbosa e Higor Pereira debaterão o tema "Educação antirracista: a educação escolar quilombola como ponta de lança"
Publicado por Utopia negra - Enegrecendo a política amapaense em Quinta-feira, 16 de julho de 2020
segunda-feira, 20 de julho de 2020
(Re)significando espaços: vidas negras importam e a Fortaleza de São José de Macapá
O
que conhecemos hoje como Amazônia Brasileira passou por um longo e violento
processo de invasões promovido
por diversas nações europeias. Franceses, holandeses, espanhóis, ingleses e
portugueses disputaram o controle desse vasto território no decorrer de
séculos. À essa disputa sucedeu uma colonização sanguinária feita por Portugal. Ao longo do século
XVIII, a coroa portuguesa passou a utilizar diversas estratégias de caráter
militar para assegurar o domínio sobre os territórios invadidos. No processo de
invasão e colonização dessas terras Portugal explorou a mão de obra de negros e
indígenas através do desumano sistema escravocrata.
Nesse contexto, foram erguidas Fortalezas,
Fortes e Fortins, a fim de manter a posse dos territórios diante de outros
possíveis invasores. Segundo Machado (1989, p. 104): “A partir desse momento,
configura-se um novo sistema de controle territorial que se apoiava em pelo
menos quatro elementos: as
fortificações; o povoamento nuclear; a criação de unidades administrativas; e o
conhecimento geográfico do território.” A Fortaleza de São José
de Macapá (FSJM) começou a ser projetada nesse cenário. É uma fortificação
luso-brasileira, construída entre 1764 e 1782, com o objetivo de proteger as fronteiras
do Cabo Norte, atual estado do Amapá. A FSJM tem seu traçado feito pelo engenheiro
militar Henrique Galuzzi, com as colaborações do Arquiteto Antônio José Landi e
pelos engenheiros militares João de Groenfeld e Domingos Sambucetti.
Tecnicamente,
a FSJM é uma harmonia entre o traçado arquitetônico italiano de fortificação e
o estilo francês Vauban de 8º ordem.
Obedece o padrão de fortaleza abaluartada de quatro faces, constituído
por um núcleo principal quadrado com espessas cortinas e quatro vértices em
baluartes pentagonais com 14 (quatorze) canhoneiras lançantes, delimitando a
praça fortificada. Essa é a maior fortificação construída pelos portugueses na
América do Sul, em metros quadrados.
Levantar
essas muralhas custou o sangue e suor de indígenas e negros na condição de
escravizados. Isso, no entanto, não ocorreu sem a constante resistência desses
povos durante todo o processo. Segundo Camilo (2003, p. 135):
As fugas
realizavam-se em bandos formados por negros e negras de particulares e da
Câmara, que tinham ao seu favor o meio físico da região, pois a bacia
hidrográfica do Amapá é formada por lagos, furos, igarapés e pelos rios
Oiapoque, que separa o Brasil da Guiana Francesa, o Cassiporé, o Calçoene e o
Araguari, que é formado por muitas cachoeiras propícias à formação de quilombos.
Nesses
espaços de resistência, negros, negras e indígenas podiam viver e lutar pela
liberdade. Plantavam, comercializavam e tentavam de todas as formas
permanecerem livres, apesar das muitas tentativas dos portugueses em recaptura-los
para novamente explora-los na construção da fortaleza ou em atividades
agrícolas.
Embora
a fortaleza tenha sido construída com objetivos puramente colonizadores e ter
sido instrumento de exploração e tortura de negros e indígenas, ao longo das
décadas ela tem passado por um processo de ressignificação de seus usos e espaços.
Primeiramente, porque ela passou a ser utilizada como um símbolo estatal,
ostentado em bandeiras, logomarcas e campanhas relacionadas ao estado do Amapá
e à cidade de Macapá. Mas essa ressignificação desponta principalmente pelo
fato de que as populações locais têm tornado a FSJM um espaço de domínio
popular, capaz de abrigar a pluralidade de identidades coexistentes dentro do
Amapá.
Desta
maneira ela começa a se desprender de seus sentidos coloniais, passando a ser
um Patrimônio Cultural do povo do Amapá. Seus espaços passam a ser utilizados
por povos e grupos que tiveram seus ancestrais explorados/marginalizados/invisibilizados
naquele mesmo lugar. A Fortaleza, portanto, passa por uma metamorfose de
sentidos, e aí se inicia a sua construção enquanto local de articulação social
e política de diversos grupos, inclusive símbolo de resistência pelas vozes
negras e indígenas.
Os
indígenas do povo Wajãpi veem nela a Mairi
de suas narrativas cosmológicas, “onde o criador Janejar havia abrigado [e protegido] seus antepassados do
cataclisma que eliminou a primeira humanidade” (GALLOIS, 2007, p. 71). Já os
negros e negras do Amapá, remanescentes daqueles que foram trazidos à força da
África, cantam os ladrões e dançam o Marabaixo dentro daquelas muralhas, em
ocasiões como o aniversário da fortificação. Vez ou outra, rola até roda de
capoeira ali dentro.
A
Fortaleza de São José de Macapá não é mais reconhecida somente como um símbolo
de ostentação colonial e opressão. Ela é um patrimônio dinâmico que (re) existe
na memória individual e coletiva do povo amapaense, reunindo assim
características tanto comuns quanto heterogêneas dentro da diversidade de
grupos que com ela interagem durante as gerações que passam.
Referências
Bibliográficas
BRITO,
Carla Marinho. Visualidades da Fortaleza de São José de Macapá em interação
com uma escola pública da cidade de Macapá. Dissertação (Mestrado em Artes
Visuais), UFPB, 2013.
CAMILO,
Janaína Valéria Pinto. Homens e pedras
no desenho das fronteiras: a construção da Fortaleza de São José de Macapá
(1764/1782). Dissertação (Mestrado em História), Unicamp, 2003.
CASTRO,
Adler Homero Fonseca de. Muralhas de pedra, Canhões de bronze, Homens de
ferro: fortificações do Brasil de 1504 a 2006. Rio de Janeiro: Fundação
Cultural Exército Brasileiro, 2009.
GALLOIS,
Dominique. Gêneses waiãpi, entre diversos e diferentes. Revista de Antropologia, v. 50, nº 1, 2007.
MACH
ADO,
L. Mitos e realidade da Amazônia brasileira no contexto geopolítico
internacional (1540-1912). Tese (Doutorado em Geografia Hmana),
Universidade de Barcelona, 1989.
*Mulher negra e quilombola, graduada em Licenciatura em História pela Universidade Federal do Amapá, Mestranda no Programa de Pós-Graduação de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Amapá - PPGSA, com concentração em sociologia
*Licenciado e Mestrando em História (PPGH/Unifap). Agente da Comissão Pastoral da Terra do Amapá.
AFINAL, O QUE É E QUAL A IMPORTÂNCIA DO FUNDEB?
*Neto Medeiros
Foto - A crítica
Para quem não sabe o que é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB vou tentar falar de forma simples, para aguçar sua CURIOSIDADE e você BUSCAR mais sobre sua IMPORTÂNCIA E URGÊNCIA: FUNDEB é o Fundo de Desenvolvimento e Manutenção da Educação Básica, que é composto por recursos arrecadados nós três níveis da administração pública, sendo a União (governo federal) contribuinte de 10% do valor total do Fundeb, que parece pouco, mas é extremamente importante para que todas as REDES atinjam o VALOR mínimo nacional por aluno, e haja estabilidade financeira nos investimos dos Estados e municípios na EDUCAÇÃO BÁSICA. Em linhas gerais o FUNDEB tem três finalidades:
1°
Pagamento de professores;
2°Financiamento
de todos os níveis e modalidades da educação básica
3°
Aquisição de equipamentos, construção e manutenção de Escolas.
Sendo
assim é importante que o FUNDEB seja tratado com responsabilidade, pois a sua
extinção mesmo que transitória, como está descrita na proposta do atual
governo, é prejudicial e contribui para que se perpetuem desigualdades,
dificuldades e ocorra uma PERVERSA promoção do SUCATEAMENTO da educação PÚBLICA
básica, que já enfrenta a décadas DIFICULDADES. Sendo assim, você precisa
acompanhar tudo sobre o FUNDEB, pois a educação do seu filho, dos filhos dos
seus amigos, sobrinhos, da galerinha da tua Ponte, de geral aí do Quilombo ESTÁ
EM JOGO.
O
FIM DO PRAZO DE VIGÊNCIA DO FUNDEB É 31 de DEZEMBRO DE 2020
O
FUNDEB não é só isso, vamos buscar mais e ficar atentos hoje (20) a partir das
15 horas, pois teremos VOTAÇÃO NA CÂMARA, e o FUNDEB está sob RISCO DE NÃO EXISTIR
EM 2021.
Acompanhe!
*Preto
e Pedagogo
Servidor
Público da Educação do Amapá
#FundebPermanente
#Fundeb
#educacaobasica
#luta
quarta-feira, 15 de julho de 2020
Candidaturas negras no Amapá em 2014 e 2018
O
que impede a representatividade de negros e negras na política? Bom, usualmente
o tema é abordado pela ausência de representatividade, diversidade e
pluralidade étnica. Nesta última década (2011-2020) a crise de
representatividade que ficou em destaque, foi a representação política, ou
seja, a relação de confiança entre eleitores e candidatos a prefeito,
governador, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e presidente.
Isso
ficou nítido a partir das jornadas de junho de 2013, com o questionamento
sistemático aos políticos profissionais. Essa crise de representação política, esconde
uma outra crise de representação. Qual seria? A crise de representação étnico-racial.
A
partir disso o sistema de representação política da democracia liberal guarda
em si, implicitamente e explicitamente formas de exclusão política que faz
fronteira com o racismo institucional. Silvio Almeida diz que o racismo
institucional se estabelece como um domínio, utilizando parâmetros
discriminatórios baseados na raça, que servem para manter a hegemonia do grupo
racial no poder. Nesse sentido, o racismo é dominação.
Do
ponto de vista institucional encontramos vários sintomas da exclusão política
de negros e negras da política representativa, para a manutenção de um padrão
político dominados por homens brancos.
Nas
eleições gerais de 1994 a 2010 para governador, deputados federais e estaduais,
senador e presidente da república, o sistema de dados da Justiça Eleitoral ao
tratar do perfil dos mesmos, não abordava as categorias raça/cor como forma de
definir o perfil dos candidatos, constituindo desse modo, omissão institucional
para sistematizar um banco de dados de candidaturas negras.
A
lacuna histórica acerca das candidaturas negras, não foi raio em céu azul. As
raízes dessa omissão institucional, é derivado das formas de sociabilidade
construídas em decorrência da herança colonial, escravocrata e latifundiária do
Brasil.
O
Tribunal Superior Eleitoral – (TSE) passou a contabilizar candidaturas negras
nas eleições gerais, somente a partir de 2014, tendo contabilizado também em
2018. No caso da Justiça Eleitoral, a
terminologia estabelecida para auferir o quantitativo de candidaturas na ótica
da raça/cor é: branco (a), pardo (a) e preto (a).
Em
2014 o Brasil registrou 26.174 candidaturas, sendo que apenas 84% foram
válidas, portanto, 21.899. O registro de candidaturas de pretos e pretas em
2014 no Brasil foi de 2.422, o que corresponde a 9,25%.
Pardos
tiveram 9.158 candidaturas (34,99%) e os brancos tiveram 14.377 candidaturas,
sendo a maior fatia do bolo, com 54,93% das candidaturas. Em 2018 o registro de
candidaturas foi de 29.085 candidaturas. O registro de candidaturas de pretos e
pretas em 2018 foi de 3.160, representando 10,86% do total. Pardos vem logo em
seguida com 10.368 registros de candidaturas, correspondendo a 35,7%. Os
brancos seguem mantendo o maior número de candidaturas, com 15.241
candidaturas, representando 52,4% do total.
Agora
fica um questionamento, e as candidaturas indígenas? Em 2014 foram somente 85
candidaturas indígenas, o que correspondeu na época a 0,05% do total. Nas
eleições de 2018 tivemos 133 candidaturas indígenas, o que representou 0,46% do
total.
Diante
do cenário nacional, como é que funciona a dinâmica das candidaturas de negros
e negras no Amapá? Vamos olhar os dados das eleições gerais de 2014 e 2018.
No
Amapá em 2014 tivemos 547 registros de candidaturas, sendo que 476 (87,02%)
forma consideradas aptas. As candidaturas de pretos e pretas somou 65 registros
válidos (11,88%) do total. Brancos tiveram 179 candidaturas (32,72%) e pardos
tiveram o maior índice, com 296 candidaturas (54,11%). As candidaturas
indígenas teve 3 registros válidos (0,18%).
Na
eleição de 2018 o cenário não mudou, seguimos com um número significativo de
candidaturas de pardos e pardas, sendo 381 candidaturas (57,47%) de um total de
563 registros válidos. Os brancos somaram 174 candidaturas (26,24%). Pretos e
pretas tiveram 103 candidaturas (15,54%). As candidaturas indígenas obteve 2
registros (0,3%).
O
que podemos tirar desses números?
1º)
O número de candidaturas de pardos e pardas a nível nacional não corresponde ao
nível local. Elas são inversamente proporcionais, sendo a nível nacional menor
e a nível local maior;
2º)
As candidaturas de pretos e pretas segue o mesmo padrão do nível nacional em
nível local;
3º)
Candidaturas indígenas segue uma sub-representação em nível local e nacional.
4º)
Os brancos em nível nacional ostentam os maiores números de candidaturas, correspondendo
diretamente no maior número de representatividade política, enquanto no nível local
o número de candidaturas brancas é menor, porém, o número de mandatos de
brancos é maior.
Na
Assembleia Legislativa do Amapá – (ALAP) em 2014 tivemos 11 pardos, 11 brancos
e somente 1 pessoa negra. Em 2018 o cenário mudou, temos na ALAP atualmente 15
brancos, 7 pardos e 2 pretos. O que impede a representatividade negra na
política? Essa pergunta merece duas respostas.
Primeiro,
do ponto de vista partidário. A esquerda, por exemplo, urgentemente deve atuar
com pautas antirracistas e não somente com pautas de classe. É dever do campo
progressista mobilizar a raça como luta política fundamental. Nesse sentido, é preciso repensar a agenda
partidária contra a precarização de candidaturas negras, visando converter as
candidaturas negras em mandatos.
Em
segundo lugar, o que vivemos no Brasil de fato, é uma real crise de representatividade
étnico-racial. Quem vota e cria leis no nosso país é a raça dominante: os
brancos. Isso em virtude do racismo estrutural que penetra todas camadas da
vida social. O racismo não é algo que se ver somente nos xingamentos e
humilhações, mas também podemos ver na política. A política precisa passar por
uma revolução que seja dos negros pelos negros.
Referências
ALMEIDA,
Silvio Luiz de. Racismo estrural / Silvio Luiz de Almeida – (Feminismos
Plurais / coordenação de Djamila Ribeiro) – São Paulo: Pólen, 2019.
PINHEIRO-MACHADO,
Rosana. Amanhã vai ser maior: o que aconteceu com o Brasil e as
possíveis rotas de fuga para a crise atual / Rosana Pinheiro-Machado – São
Paulo: Planeta do Brasil.
segunda-feira, 13 de julho de 2020
"TU SABES FULANO? LEVOU O FARELO!" - (DES) NATURALIZAR A NECROPOLÍTICA DA VIDA DO (A) AMAPAENSE
[Vídeo] Dívida pública (Bê)
Dando seguimento de postagens de conteúdos que envolva a
população negra amapaense, Bê lança uma reflexão sobre a dívida pública. Ou
seja, ela aborda sobre as condições econômicas que atingem diretamente a
população brasileira, e como a dívida pública acaba por prejudicar diretamente
o povo negro. É um deficit fabricado. A nossa riqueza vai para determinados
empresários, ou seja, boa parte da riqueza produzida por nós vai para um grupo
privilegiado que controla o mercado financeiro.
O vídeo tem como base de reflexão as análises da Maria Lúcia
Fattorelli.
domingo, 12 de julho de 2020
[Live] Enegrecendo a política amapaense (Luana Darby e Cleiton Rocha)
Esse vídeo faz parte de um
projeto coletivo de pessoas negras amapaenses comprometidas em analisar, propor
e fazer da política amapaense um movimento fundamentado na negritude. O nome de
projeto chama-se "Enegrecer a política amapaense: Lançamento de candidaturas
negras", essa iniciativa nasce de pessoas que não se conformam com o mundo
atual que tem relegado as pessoas negras a subalternidade, silenciamento e
apagamento. Logo, é necessário valorizar as nossas intelectualidades negras
locais, estética, e a potencia da juventude negra.
#NÓSPORNÓS
#TUDONOSSONADADELES!
Vem com nós meus considerados
(as)!
Por uma utopia negra da política local, monstra tua voz povo preto!












